Não há, para mim, uma única definição para jornalismo. Ao lidarmos com notícia, informação, divulgação e esclarecimento de idéias e (por que não?) denúncia, estamos inseridos diretamente no dia-a-dia dos cidadãos: deles e para eles.
Longas conversas com parceiros do curso apenas confirmam minha visão romântica da profissão. Não me envergonho em ter esperança e volto a perguntar: por que é feio, hoje em dia, querer mudar o mundo com as próprias mãos? Idealista, mas estou errada em me preocupar?
O jornalista é (deveria ser) um comunicador dos interesses do público que pode sim, colaborar com a formação de um mundo melhor. Sua função é transmitir a mensagem, limpa e clara, de forma que a população se mantenha informada e possa elaborar sua própria visão dos fatos.
Há, no fundo do jornalismo, um grande e importante papel social. Mas os jornalistas não podem ser os únicos a acreditar que possa existir uma mudança a partir do seu trabalho. Eles precisam impulsionar essa crença. Acho que a falta dessa noção de responsabilidade do jornalismo é a principal responsável pela crise de credibilidade do setor.
O jornalismo se encontra dividido entre informar e clarear idéias e o fato de estar se formando como negócio. A profissão está abandonando o romantismo, focando-se no lucro: transformou-se numa mercadoria para consumo, publicando notícias que venderão milhões de exemplares, raramente de interesse público (vide o caso Isabella).
Não acredito em imparcialidade. Cada repórter revela um olhar diferente. Mas acredito em ética e bom senso. Responsabilidade e comprometimento. E acredito em uma mudança no jornalismo. Para os jornalistas, basta abrirem seus olhos, limparem suas lentes e conscientizarem-se sobre o que é mesmo importante e de interesse da sociedade. É uma utopia, que pode se expressar de tantas formas: seja na crença na possibilidade de transformação das relações dentro do jornalismo ou apenas na perspectiva de mudança do papel assumido pela mídia nos dias atuais.
27/04/2008
Limpando as próprias lentes
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jornalismo
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